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Aprendendo o Português do Brasil de Maria Nazaré de Carvalho Laroca |
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| Maria Nazaré de Carvalho Laroca durante sua apresentação da tese de doutoramento. |
por Maria Nazaré de Carvalho Laroca [*]
Aprendi o Esperanto em 2003. Foi amor à primeira aula. Como estudiosa da ciência da linguagem - coautora de um método de linguística aplicada Aprendendo português do Brasil; um curso para estrangeiros e autora de um Manual de Morfologia do Português (vide Pontes Editores ), comecei a pensar em fazer uma pesquisa sobre essa fascinante língua, ainda então novidade para mim. O melhor caminho seria enfrentar um Curso de Doutorado. E assim o fiz.
Na nossa tese - O caráter verbo-nominal do aspecto em Esperanto (defendida na Universidade Federal Fluminense, no dia 18 de agosto de 2009), procuramos explicitar as estratégias que o usuário da língua internacional Esperanto utiliza para decodificar o aspecto, isto é, o modo como ocorreu, ocorre ou ocorrerá a ação, o evento ou o processo verbal no que concerne à sua duração e / ou realização, codificados como verbo ou nome verbal, isto é, particípio.
Além da hipótese geral de que o aspecto está presente e funciona no uso da língua, postulamos o caráter verbo-nominal do aspecto em Esperanto, isto é, definimos o aspecto como a representação discursivo-gramatical da temporalidade interna do verbo e também do particípio.
Para dar maior respaldo à pesquisa, analisamos narrativas de autores e tradutores falantes de línguas de variadas famílias linguísticas, a saber, românicas (francês, italiano, português brasileiro); germânicas (inglês, norueguês, dinamarquês); eslavas (russo, polonês, búlgaro, croata); uralo-altaicas (japonês, húngaro, coreano); e chinês.
De modo geral, o trabalho foi bem aceito pela comunidade acadêmica, recebendo nota 10. Convém dizer que houve críticas pontuais ao longo da defesa, sobretudo no que se refere ao fato de o Esperanto ser uma língua planejada. A questão mais importante refere-se à possibilidade de sua dialetação.
Tomo a liberdade de citar algumas reflexões feitas por um dos membros da banca, o Prof. Dr. Pierre Guisan (UFRJ):
“Como você encara questões como os contatos de línguas que o esperanto encontra – já que ele tem uma história de quase um século e meio, e das mudanças e variações?” (...) “Será que vão surgir exceções? Variantes? Dialetos? Fragmentação? O fim de um esperanto único normatizado? Enfim, como resolver a contradição entre a língua única e unificadora, e a vida, que é processo de mudança e fragmentação? As academias conseguem dar um jeito?”
Para finalizar, também tomo a liberdade de citar aqui a avaliação geral da tese feita por outro membro da banca, a Profª. Dra. Cláudia Roncarati (UFF):
Laroca brinda-nos com um estudo minudenciado e pontual que visa a buscar evidências de que a expressão da aspectualidade no Esperanto se configura a partir da interação de operadores aspectuais diversos (recursos lexicais, gramaticais e discursivos). À luz do funcionalismo de orientação americana defende que a codificação do aspecto é, em grande parte, uma escolha do usuário discursivamente condicionada (plasticidade da língua = cf. p.121,126,149). Um dos méritos da tese é o de pôr em relevo a potencialidade do campo investigativo dessa língua internacional cujo léxico e morfologia (morfemas raízes e morfologia derivacional) compartilham propriedades comuns às línguas indo-europeias e neolatinas, prototipicidade esta que, em futuros desdobramentos, pode possibilitar a comparação entre a funcionalidade e a estrutura de sua gramática com a das línguas nacionais.Ao longo da pesquisa, fica também patente o interesse particular da doutoranda, usuária dessa língua planejada, em transformá-la em objeto de inquirição linguística no contexto da Interlinguística.
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Profa. aposentada da Universidade Federal de Juiz de Fora – UFJF
Poetisa / Membro da Academia Juiz-Forana de Letras
Profa. do Centro de Ensino Superior de Juiz de Fora – CES/JF
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