02 | 09 | 2010

Aprender o Esperanto causa um efeito pedagógico facilitador, pois aumenta a rapidez de aprendizado em pelo menos 20%. Isso foi provado pela Universidade de Paderborn, na Alemanha.

ESPERANTO: AMOR À PRIMEIRA AULA PDF Imprimir E-mail
Escrito por Redakcio   

Aprendendo Portugueês do Brasil

Aprendendo o Português do Brasil
de Maria Nazaré de Carvalho Laroca
Maria Nazaré Laroca durante apresentação de sua tese
Maria Nazaré de Carvalho Laroca durante sua apresentação da tese de doutoramento.
por Maria Nazaré de Carvalho Laroca [*]

Aprendi o Esperanto em 2003. Foi amor à primeira aula. Como estudiosa da ciência da linguagem - coautora de um método de linguística aplicada Aprendendo português do Brasil; um curso para estrangeiros e autora de um Manual de Morfologia do Português (vide Pontes Editores ), comecei a pensar em fazer uma pesquisa sobre essa fascinante língua, ainda então novidade para mim. O melhor caminho seria enfrentar um Curso de Doutorado. E assim o fiz.

Na nossa tese - O caráter verbo-nominal do aspecto em Esperanto (defendida na Universidade Federal Fluminense, no dia 18 de agosto de 2009), procuramos explicitar as estratégias que o usuário da língua internacional Esperanto utiliza para decodificar o aspecto, isto é, o modo como ocorreu, ocorre ou ocorrerá a ação, o evento ou o processo verbal no que concerne à sua duração e / ou realização, codificados como verbo ou nome verbal, isto é, particípio.

Além da hipótese geral de que o aspecto está presente e funciona no uso da língua, postulamos o caráter verbo-nominal do aspecto em Esperanto, isto é, definimos o aspecto como a representação discursivo-gramatical da temporalidade interna do verbo e também do particípio.

Para dar maior respaldo à pesquisa, analisamos narrativas de autores e tradutores falantes de línguas de variadas famílias linguísticas, a saber, românicas (francês, italiano, português brasileiro); germânicas (inglês, norueguês, dinamarquês); eslavas (russo, polonês, búlgaro, croata); uralo-altaicas (japonês, húngaro, coreano); e chinês.

De modo geral, o trabalho foi bem aceito pela comunidade acadêmica, recebendo nota 10. Convém dizer que houve críticas pontuais ao longo da defesa, sobretudo no que se refere ao fato de o Esperanto ser uma língua planejada. A questão mais importante refere-se à possibilidade de sua dialetação.

Tomo a liberdade de citar algumas reflexões feitas por um dos membros da banca, o Prof. Dr. Pierre Guisan (UFRJ):

“Como você encara questões como os contatos de línguas que o esperanto encontra – já que ele tem uma história de quase um século e meio, e das mudanças e variações?” (...) “Será que vão surgir exceções? Variantes? Dialetos? Fragmentação? O fim de um esperanto único normatizado? Enfim, como resolver a contradição entre a língua única e unificadora, e a vida, que é processo de mudança e fragmentação? As academias conseguem dar um jeito?”

Para finalizar, também tomo a liberdade de citar aqui a avaliação geral da tese feita por outro membro da banca, a Profª. Dra. Cláudia Roncarati (UFF):

Laroca brinda-nos com um estudo minudenciado e pontual que visa a buscar evidências de que a expressão da aspectualidade no Esperanto se configura a partir da interação de operadores aspectuais diversos (recursos lexicais, gramaticais e discursivos). À luz do funcionalismo de orientação americana defende que a codificação do aspecto é, em grande parte, uma escolha do usuário discursivamente condicionada (plasticidade da língua = cf. p.121,126,149). Um dos méritos da tese é o de pôr em relevo a potencialidade do campo investigativo dessa língua internacional cujo léxico e morfologia (morfemas raízes e morfologia derivacional) compartilham propriedades comuns às línguas indo-europeias e neolatinas, prototipicidade esta que, em futuros desdobramentos, pode possibilitar a comparação entre a funcionalidade e a estrutura de sua gramática com a das línguas nacionais.Ao longo da pesquisa, fica também patente o interesse particular da doutoranda, usuária dessa língua planejada, em transformá-la em objeto de inquirição linguística no contexto da Interlinguística.

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Profa. aposentada da Universidade Federal de Juiz de Fora – UFJF

Poetisa / Membro da Academia Juiz-Forana de Letras

Profa. do Centro de Ensino Superior de Juiz de Fora – CES/JF

 

 

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