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Márcio Cotrim, jornalista e autor do livro o Pulo do Gato, articulista do jornal Correio Braziliense, em um artigo de 5/7/08, bem estruturado em suas argumentações, fez referências negativas e impróprias ao Esperanto e foi rebatido por dois esperantistas que reproduzimos abaixo.
Aloisio Sartorato, RJ, rebateu o jonalista da seguinte forma: Prezado Sr. Márcio Cotrim:
Tomei conhecimento através de um amigo residente em Brasília do excelente artigo de sua lavra intitulado "O papel das Academias" e publicado na edição de hoje do Correio Braziliense.
Entretanto, em certo trecho de seu artigo, o prezado articulista afirma: Na verdade, somos vítimas da Torre de Babel, algaravia que nos azucrina os ouvidos. Já se buscou resgatar a maldição bíblica com línguas que seriam universais, generosa proposta ecumênica, mas a principal tentativa, o Esperanto, não vingou. Até a ONU o recusou como sexta língua oficial, que miopia! Ao longo dos séculos, o poderio das nações mais fortes tem imposto idiomas hegemônicos. O espanhol e o francês, já tiveram seu tempo, como o grego, o latim e línguas antepassadas. Agora predomina o inglês, a língua da tecnologia, da informática, do marketing – enfim, do capitalismo.
Na qualidade de divulgador da língua esperanto, permita-me contra-argumentar que, ao contrário do que afirma, o esperanto vingou sim! Surgido há 120 anos, fruto do trabalho isolado de anos de um poliglota e idealista, o esperanto se espraiou pelo mundo e hoje se encontra presente nos cinco continentes, com usuários do idioma em mais de 1.000 cidades, de 100 diferentes países. Possui literatura própria, constituída de dezenas de milhares de títulos publicados, sendo também reconhecido, desde a década de 90, como língua literária por resolução do PEN Clube Internacional. Regularmente publicam-se centenas de periódicos nessa língua e o esperanto é a única língua de trabalho de centenas de congressos e encontros internacionais, realizados ao longo do ano. Por outro lado, a UNESCO, através de duas resoluções, em 1954 e 1987, reconheceu o valor do esperanto para o intercâmbio cultural entre os povos. Seu idealizador, L.L. Zamenhof, foi reconhecido, por essa mesma instituição, em 1959, como grande vulto da humanidade.
Voltando à sua afirmação acima "mas a principal tentativa, o Esperanto, não vingou. Até a ONU o recusou como sexta língua oficial, que miopia!", poderíamos dizer que não está ao alcance dos esperantistas para que ela se torne uma língua oficial da ONU. Por que? Porque há grandes interesses políticos, culturais e econômicos a privilegiar meia dúzia de idiomas entre os milhares existentes no mundo. Apesar de ser a sexta língua mais falada do mundo, o português não é língua oficial nem da ONU, nem da UNESCO. E olha que por trás do português há vários países, membros desses organismos internacionais.
O esperanto bate de frente contra uma ordem lingüística mundial existente há 6.000 anos. Dificilmente, alguém abrirá mão de seus privilégios em favor do esperanto ou de qualquer outra proposta semelhante. O cristianismo levou 300 anos para se tornar a religião oficial do império romano, depois de séculos de perseguições que sofreu. O que parecia algo imutável, o Muro de Berlim, de repente, caiu por terra. Quem sabe se algum acontecimento num futuro não muito distante leve os homens a decidir a favor do esperanto. Cordiais saudações, Aloísio Sartorato
Mirna Marinho, radiojornalista em Petrópolis, responsável pelo excelente programa Parolu Mondo! reagiu da seguinte forma: Caríssimo Marcio Cotrim: Travei contato com seu artigo no Correio Brasiliense de 05/07 por uma das muitas listas de Esperanto das quais participo. Um dos co-idealistas (esperantistas) nos enviou.
O Senhor tem razão: ninguém "oficial" dá bola para o Esperanto, afinal, quem quer um mundo mais justo, onde as línguas naturais sejam protegidas, tenham seu lugar no seio do mundo e sejam a carinhosa propriedade de seus falantes; onde não haja "língua forte" e "língua fraca", "língua morta" e "língua viva", "língua oficial" e "língua não-aceita" ... onde cada um tenha direito de se expressar em sua língua materna e para os contatos internacionais, haja simplesmente um língua transnacional e lógica - como o Esperanto. Isso interessa? Não! Vivemos num mundo capitalista hostil. O Senhor com muita propriedade tratou o Inglês como "língua capitalista", é fato! Até quando? Arrasto-me atualmente num curso de inglês com meu querido professor Robson Jordão. Não fossem sua inesgotável paciência para comigo, o chá com os biscoitinhos deliciosos que oferece e sua amizade...eu já teria desistido! Não me entra na cabeça a pronúncia do Inglês e os meandros da língua! Ba! Enquanto eu me arrasto com meu professor e pago 175,00 mensais (afora o material didático de Cambridge, de 6 em 6 meses, que me custa mais 150,00) uma americana da minha idade, 36, não tem que fazer isso! Ela simplesmente fala "a língua internacional do mundo", aceita pela ONU e afins e "acha que chegará em qualquer lugar do mundo com sua língua". COITADA, eu digo. Comecei a aprender o Esperanto em 2000, gratuitamente, em minha cidade Petrópolis-RJ. Consegui absorver sua pronúncia em 1 semana - trabalhando os fonemas an e am mais cuidadosamente bem depois. Hoje eu consigo me comunicar em Esperanto com os cinco continentes perfeitamente. Faço a produção e apresento um programa de rádio em Esperanto, veiculado pela REDE BOA NOVA DE RÁDIOS, de São Paulo e disponível na "internet" (!) no endereço http://parolumondo.com - (Fala Mundo). Me divirto e realizo meu maior sonho de infancia: conhecer e compreender todas as pessoas do mundo! Para tal, basta-me uma língua: O Esperanto! O Esperanto me faz feliz, eis tudo. Me sinto incluida no mundo, respeitada e cidadã do planeta Terra. E dane-se a ONU! Sabe, confesso: o pior disso tudo é que eu não tenho tempo de aprender melhor a minha língua materna! Adoraria pagar os mesmos 175,00 reais mensais para estar num curso de Português... língua que eu não domino muito bem! Por fim, sou radialista. A emissora em que trabalho resolveu mudar sua programação, apresentar música de qualidade, uma programação variada... apresentei um projeto antigo que gostaria de ver realizado no rádio: A MÚSICA DO MUNDO! Sabe a resposta que recebi: "Isso não vende! Música internacional é a americana." COITADOS, eu digo! Obrigada por sua atenção e defesa de nosso idioma! Respeitosamente, Mirna Marino Duarte - radialista - Petrópolis - RJ - BRAZIL
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